Quando você fala da loucura, tudo é peso maior: Estorvo arrebentando, chegando ao fim...Os hábitos, os gestos, o silêncio. Olhar de cor azul cobalto. Translucidez. Breve instante, que de tão breve, não cicatriza destinos.
Vai, desperta o sonho das flores de Abril. Encanta as horas e o tempo que ninguém acende. O sol é sobrancelha de arco, puro toque. As mãos : caminho que abrevia o movimento do desejo. Escolhe secretamente uma das almas, que o vento toma parte do improvável. Vai que já é tarde. Teu olhar denuncia : o cansaço já veio. Ansiedade domada pelo cotidiano. É tarde. Fugir é correr das coisas inúteis, da cegueira convulsiva, da esterilidade, da ilusão. Toda fuga é morte na certa. Tempo ao contrário. Jogo de tabuleiro. O monstro e a moça refletida no espelho navegam as mesmas águas.
Lá fora, o mundo não observa o curso das coisas. E continua ocupado. Vai deformando o homem. Gente aos montes nos castelos de poeira. Da ilusão que inventa suas raízes, sobra o branco da página. Se você me sabe, também deve saber que me esgota tanta retidão.
Era uma página em branco e vagava por uma sala até o tombo na pedra. Quartzo rosa. De lá pra cá, de cá pra lá, sempre o avesso, a agonia. A dona do teu tempo é a dona do meu tempo. O temor do homem que não ver a cor do dia é partir pro fundo do buraco negro. Quando você fala da morte é Filosofia. Aprender cortando o ventre. Segurar a lágrima. Seguir a chuva até o infinito sem escorregar. Quando você fala do caos, sabe-se trapezista e vidente. Carrega um archote na caverna escura. Equilíbrio. Riso dizendo de si. Anunciação da terra e do fogo.
Disseram que no Sul da Sicília, na Itália, uma moça perfurou o peito com um punhal de prata. Disseram: destino. E que o vermelho carmim inundou todo o quarto. Não se sabe o que não houve. Não se sabe o silêncio de dois. O não-tempo. Sabe-se um pouco da casa: sombras, móveis antigos, o azul lá fora, a ilha.
Quando você fala: ternura e afeto e carinho e rotas graciosas começam a luzir.
Quando eu calo é sempre amor. Nova travessia que busca o inalcansável. Quisera eu ser outro lugar. Quem sabe o mesmo ventre, perto. O templo. Um fragmento do teu instante. A tua mentira. Teu giz. Parede de aço.
Amor-palavra é o tempo que se faz líquido; flor no peito, jazigo de luz. Pássaro de asa recém-descoberta, imenso no azul que veste o dia, eterno nesse sereno.
Quando você fala o mundo é só distância. Barco, poliedro. Quantas faces tem o mar na tempestade ?
Quando se perde a neblina, não se pode sair por aí buscando um destino frágil. A neblina é o destino, a cicatriz que não cessa. Uma vez perdida, volta mais clara, sempre mais clara. Translucidez. A claridade da razão acometida pelo silêncio. Quando você chega é saudade. Quando eu calo é sempre amor.
(Para "alguns" jogos da alma)