quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Terra à vista

Como foi bom ter nascido...morrer é a única maneira de continuarmos vivos. Aqui está Francisco: leve, solto, grave, verdadeiro. A dor vai lhe esculpindo uma beleza única, multifacetada. Ele tinha história pra contar. Ele tem história. Acompanhar cada passo desse homem é no mínimo, cinema. Isso: coisa de cinema. Eu não sabia que uma janela pode nos engolir, que um buraco pode nos revelar, que sempre quis morrer com uma bala cravada em meu peito, que o olhar de Francisco era o começo de tudo. Assim acordei : sonhando, como há muito tempo não sonhava: Leões, correria de um lado, correria de outro, muito vermelho, desfecho, abraços, fim do Livro. Eis a terra. Francisco da cor da América latina, da cor do sol, e eu vi o mundo. Daquele homem, o riso frouxo, desatento, livre em cada passo. Caminhava sozinho sob o vazio solar ao meio dia.
O grito abafado pelo vermelho, minhas mortes ao teu sonho, vogais desistentes, amor sem música!! Eu era sim uma lápide, pó dissipado pelo vento. Agora somos mais um elemento da chuva : Terra à vista. Francisco e eu.
Meu amor é como giz; risco e rabisco nos muros do tempo. Faço desenhos cegos, coloridos, abstratos. meu amor transforma o sal de toda lágrima em leve contentamento.
Nós nos perdemos. Eu perdi Francisco. Os leões do sonho perseguem a sombra noturna dos meus olhos. Não tenho medo nem cantarei nosso lamento. Terra à vista. Pisando no chão, esqueço as asas. Nós somos Ele: o homem. Ele era Ela: argila. Ela era Ele:...Distâncias.
Aquele homem de olhos mudos era você mesmo; fartos cabelos brancos, um borrão na areia molhada. Você é minha casa, meu silêncio, meu jardim. E o globo ninando a mesma lágrima...

Nenhum comentário:

Postar um comentário